Relações Históricas de Precedência

"Relações históricas de precedência" foi um termo cunhado no ano de 2002 por mim para dar conta do processo de organização de temas em livros de ensino médio, considerando-se a possibilidade de que alguns locais do currículo escrito pudessem sofrer interferência da temporalidade histórica estrita na sua organização. Na época não havia condições para tentar entender porque isso poderia acontecer, apenas tratou-se isso como uma condição a priori e procurou-se interpretar seus modos de ocorrência.
A questão que motivou esse tipo de investigação referia-se à pergunta de partida: como começa um curso de química no ensino médio, com que tema? Começar com história da química seria bom? Como estão começando os livros de química?
De maneira geral a justificativa é bem simples: parece bastante razoável preocupar-se com o começo, pois, em boa medida, começar bem é sempre bom. Além do mais o começo é sempre a parte mais ansiosa para os que estão como neófitos na prática docente.
As respostas obtidas nessa pesquisa também são bastante simples: há pouca ou nenhuma relação histórica de precedência nos livros atuais (leia-se aí 2002/2003). Mas isso nem sempre foi assim, livros do antigo secundário possuíam maiores relações históricas de precedência, ou seja, havia maior chance para uma organização didática em torno da história da química no passado. No passado havia também maior rigor conceitual, por exemplo quanto a um conceito considerado como caso em nosso estudo: a noção clássica de valência.
Chegou-se inclusive a defender que esse rigor conceitual seria uma derivação do uso de relações históricas de precedência, mas essa defesa não teve como ser produzida a partir de argumentos contra-factuais e permaneceu ao sabor de nossas possibilidades retóricas.
O grande destaque desse trabalho, ou o que mais chamou atenção da comunidade foi o repertório metodológico criado para suportar a investigação. Acredito que ainda sobre o largo efeito da minha formação como Engenheiro Químico e da especialização em Pesquisa Operacional, consegui um repertório criativo de "organizadores gráficos" que me valeram elogios acerca do trato metodológico do trabalho. Destaco especialmente o trabalho com "mapas conceituais", que inclusive hoje é seguido por alguns autores de livros didáticos, e as "matrizes de precedência" que permitiram sustentar diversos argumentos sobre a idéia de "relação histórica de precedência", além de criar uma maneira simpática de apresentar precedências regulares na organização de diferentes livros didáticos.
Espero que aproveitem a leitura e qualquer dificuldade ou crítica entrem em contato.