Diz-se que o primeiro sofista a aceitar pagamento por seu ensino foi o famoso Protágoras de Abdera (490-
Sofista hoje é sinônimo de falso, e sofismar é encontrado no dicionário Houaiss como “encobrir a verdade de (algo) com argumentos falsos; dar uma interpretação falsa a”. Esse é um bom exemplo da atribuição de sentido a um termo pela forma de uso, uma vez que sua estrutura morfológica possui uma denominação muito mais elegante. O termo que dá origem a palavra sofistas: sophós em grego é o homem que se dedica à investigação indvidual dos mistérios do mundo e de sua própria conduta – o sábio. O termo derivado: sophistés designa homem hábil, habilidade. Então quando os professores deixaram de ser sujeitos hábeis e ligados à sabedoria para se tornarem, também segundo Houaiss, “aquele que utiliza a habilidade retórica no intuito de defender argumentos especiosos ou logicamente inconsistentes”?. De acordo com Ivan Gobry, no seu Vocabulário Grego da Filosofia (Martins Fontes, 2007), foi no século V quando se inicia um processo de atribuição utilitária ao ensino sofista, com intenso trabalho daqueles para garantir aos próprios e aos aprendizes aptidão e receita nos negócios públicos. Mesmo assim, toma-se como relevante sua influência na estrutura do pensamento ocidental, deixando um legado de debates e provocações que levaram, por exemplo, Aristóteles (384-
Os sofistas nos ajudam a tornar as noções de verdade e de realidade mais relativas. Pelo enunciado de Protágoras: “o homem é a medida de todas as coisas, da existência do que existe e da inexistência do que não existe” (Protágoras em sua obra Verdade). O enunciado serve para humanizar o processo do conhecimento ao garantir que o indivíduo é o melhor decisor sobre o que é a verdade e sobre o que se pode tomar como real ou como realidade. Os sofistas afastaram-se da interpretação acerca da natureza e preocuparam-se com os assuntos que diziam respeito à conduta da vida humana. Discutiam os fundamentos da lei e da moral e concentravam-se nos aspectos éticos e políticos. Chegaram a defender os direitos humanos e a questionar a validade da escravidão.
Referências: Luce, J. V. Curso de filosofia grega. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1994.