Demiurgo é a palavra grega para criador, é o personagem de Platão que produz o mundo sensível através das idéias. Seu trabalho é contemplar os modelos e sua missão é transferir para as cópias (no mundo sensível) as virtudes desses modelos.
Só com essa pequena incursão no “Timeu” podemos nos deliciar com boas provocações: modelos, cópias e uma instância responsável por sua conversa, ou seja, um mediador. Essa instância mediadora combina artesanato e contemplação para desempenhar a comunicação entre modelos e cópias. A atividade do Demiurgo compreende a contemplação dos modelos (formas inteligíveis), do mundo eterno e perfeito, para a execução de sua ação ordenadora do mundo sensível, por meio da elaboração de cópias. Aqui temos que a práxis pressupõe reflexão, o Demiurgo contempla o modelo e decide sobre como fazer a cópia. O mundo mutável que nos cerca somente é possível pela condição eterna das formas inteligíveis. Tomar o demiurgo como mediador nos arrasta para uma questão que circula recursivamente a mediação: em que medida tal processo depende do agente mediador? Ou seja, as formas inteligíveis, os modelos, existem de forma independente do Demiurgo, ou somente por meio dele. Mas Platão nos deixa claro que as formas inteligíveis existem de forma absoluta e eterna, não dependem de ninguém, sempre existiram.